quinta-feira, 9 de junho de 2011

Vegetariano, eu? Parece que sim...



Não é questão de amor, é de ética mesmo.

sábado, 10 de abril de 2010

O crepúsculo e a velha

(Aperta a torneira do celeste teto

espremem-se as últimas gotas coloridas

num desmanche belo do azul óleo

que aos velhos glóbulos chorar faziam

à pintura do laranja e do vermelho

o crespuscular prelúdio de estrelas

o pousar de mais um sol findo...)


Eita, velha, que tu aprendeste a amar

E logo a sonhar e a pensar,

E depois a falar, a ler, a escrever.

Sonhaste em ser tua mãe, e dedicar-te a outro pai

Descobristes que eram fracos e humanos

E que tu também o eras.


Eita, que te apaixonastes

E entendestes que isso não preenche

O vazio que todo ser sente

E que crava sulcos na alma

E um peito frio, ao viver e a encerrar

Uma união que não acalma


Eita, que a vida permitiu-te conhecer

os filhos dos teu sonhos

e os filhos dos filhos dos teus sonhos

e vê-los viver

e os sonhos tos teus filhos

e os sonhos dos teus netos

e ver alguns padecer

- como padeceram vários dos teus também.


Agora, tu lembras dos tempos passados

e recordas alegre do que existiu,

momentos em que tua boca não sorriu.

E o vento soa largado

ao encontro dos teus nervos desmantelados

e às memórias discordantes do que ruiu.


O poente ao monte descansa

e tua vista não mais alcança

o futuro em que outrora vagueavas.

E o olhar à terra tu lanças

a areia, a poeira e a voz

dos que antes estavam como ti.

E atroz, agora debaixo de ti,

em abraços eternos com os vermes

que então devoram seus músculos.

Velha, que teu peito não gele

Na hora breve de teu crepúsculo.

Poetrix


O uivo

À lua lupina
o uivo que míngua
a cheia solidão.


Insônia

Ao insone
o desespero medonho
da aurora que rompe.


Haiti

A terra tremeu.
Coração, segue adiante -
não, não esqueceu.


Escrita

Rasga o peito e irrita
a poesia que dói
o gênio que dista.


Estudo

Quero cair de boca
engolir o sêmen profícuo e profundo
do saber dos livros meditabundos.


Covardia

A briga que dista
a boca que cala
a fúria que fica.